Pontos principais
- A otoplastia pode ser feita pela técnica aberta ou pela fechada.
- A escolha depende da cartilagem e de qual parte da orelha causa a projeção.
- A técnica fechada é indicada para casos selecionados, não para todos.
- As duas técnicas têm riscos, que devem ser discutidos na consulta.
Quem começa a pesquisar sobre otoplastia logo encontra dois nomes: técnica aberta e técnica fechada. É comum chegar à consulta já com uma preferência. Mas a técnica não é escolhida por preferência. Ela depende de como a sua orelha é formada.
Neste artigo, você entende o que causa a orelha proeminente, como funciona cada técnica e o que a avaliação observa antes de indicar uma delas.
O que causa a orelha proeminente?
A orelha proeminente, popularmente chamada de “orelha de abano”, costuma ter duas causas, que podem aparecer juntas:
- Anti-hélice pouco definida: a dobra natural da cartilagem não se formou por completo, e a orelha fica mais aberta.
- Concha aumentada: a parte mais funda da orelha é maior e empurra a orelha para fora.
- Lóbulo projetado: a parte mole da orelha também pode estar mais afastada da cabeça.
Identificar qual dessas estruturas está envolvida é o primeiro passo da avaliação, porque cada uma pede um tipo de correção.

Como funciona a técnica aberta?
Na técnica aberta, é feita uma incisão no sulco atrás da orelha. Ela dá acesso direto à cartilagem, que pode ser remodelada com pontos e, quando necessário, ajustada. A cicatriz fica atrás da orelha, em uma área pouco visível.
Por permitir acesso direto, a técnica aberta é a mais usada quando a cartilagem é firme ou quando há mais de uma alteração a corrigir.

Como funciona a técnica fechada?
Na técnica fechada, não há incisão aberta. Pequenas perfurações na pele permitem passar pontos internos que dobram a cartilagem na posição desejada. É uma técnica menos invasiva, mas depende de uma cartilagem que aceite esse tipo de modelagem.

| Técnica aberta | Técnica fechada | |
|---|---|---|
| Acesso | Incisão atrás da orelha | Pequenas perfurações, sem incisão aberta |
| Cartilagem | Firme ou alterações mais complexas | Casos selecionados |
| Cicatriz | Atrás da orelha | Sem cicatriz de incisão |
| Recuperação | Faixa de proteção e retornos | Faixa de proteção e retornos |
O que define a escolha
Na consulta, alguns pontos são avaliados antes de indicar uma técnica:
- A firmeza e a espessura da cartilagem.
- Qual estrutura causa a projeção: anti-hélice, concha, lóbulo ou a combinação delas.
- A diferença entre as duas orelhas.
- Se já houve uma otoplastia anterior.
Em alguns casos, só uma das técnicas é adequada. Em outros, as duas são possíveis, e a decisão é tomada junto com o paciente, considerando também a rotina e as expectativas.
Otoplastia em adultos
Muitas pessoas convivem por anos com o incômodo das orelhas e só procuram avaliação na vida adulta. A cartilagem do adulto costuma ser mais firme do que a de uma criança, o que influencia a escolha da técnica e o planejamento.
Também é comum a procura por quem já fez otoplastia e não ficou satisfeito com o resultado, seja por assimetria, retorno da posição ou cicatriz. Nesses casos, a avaliação considera o que foi feito antes e o que é possível corrigir.
Como se preparar para a consulta
- Observe o que mais incomoda você: a projeção, o formato ou a diferença entre as orelhas
- Se já operou, leve informações sobre a cirurgia anterior
- Informe medicamentos em uso, alergias e condições de saúde
- Traga suas dúvidas anotadas
Como é a recuperação?

Nas duas técnicas, é usada uma faixa de proteção, primeiro de forma contínua e depois à noite, pelo período orientado.
- Desconforto leve e inchaço nos primeiros dias
- Evitar dormir apoiado sobre as orelhas no início
- Esportes de contato liberados de forma gradual
- Retornos para acompanhar a posição e a cicatrização
O que é normal na recuperação
- Inchaço e sensibilidade nas orelhas nos primeiros dias
- Uso da faixa de proteção, principalmente para dormir, por algumas semanas
- Pequenos ajustes podem ser avaliados no acompanhamento, quando necessários
- Retornos para a médica acompanhar a evolução
Para ver como é feita a avaliação, a recuperação e as dúvidas mais comuns, acesse a página de otoplastia aberta e fechada.
Publicação científica
Correção secundária da orelha em abano com otoplastia fechada. Trisóglio C, Quaggio SMS. Surgical & Cosmetic Dermatology, 2025;17:e20250416.
Relato de caso de uma paciente adulta que já havia feito otoplastia aberta na infância e teve a correção secundária feita com a técnica fechada, sem incisão, sob anestesia local.
Ler o artigo completo · DOI: 10.5935/scd1984-8773.2025170416
Perguntas frequentes
A otoplastia fechada deixa cicatriz?
Não há incisão aberta. São feitas pequenas perfurações na pele para passar os pontos internos. A avaliação explica como fica a pele no seu caso.
Qual técnica dura mais?
A durabilidade depende mais da indicação correta para o tipo de cartilagem do que da técnica em si. Por isso a escolha é feita na avaliação.
Com que idade dá para fazer otoplastia?
A correção das orelhas pode ser feita a partir dos 6 anos. Não há idade máxima: jovens e adultos também fazem.
Quem já fez otoplastia pode fazer de novo?
Pode ser avaliado. Uma nova cirurgia depende de como a orelha ficou e do que precisa ser corrigido.
A otoplastia é feita com anestesia geral?
Em adultos, costuma ser feita com anestesia local, com ou sem sedação. A definição acontece na consulta.
Conteúdo educativo. Diagnóstico, indicação, técnica e riscos só podem ser definidos em consulta médica.



